quinta-feira, 28 de julho de 2011

Feliz Aniversário

    Eram vizinhos a tempo suficiente. Eram próximos o suficiente. E decididamente já estavam distantes por tempo suficiente.
    Se encontravam quase todos os dias no elevador. Suas vozes só se encontravam em breves "Bom dia"s. O que compartilhavam era os cheiros que se misturavam no cubículo. Muito provávelmente ele não notou que seu olhar perdido à frente na verdade o observava. Tampouco percebeu quantas vezes veladamente foi despido peça a peça de roupa naquele olhar disfarçado.  Também não há de ter percebido que seus lábios formigavam e levemente inchavam chamando a boca que invariávelmente falava ao telefone. Não há ter percebido o prelúdio de prazer que seus mamilos anunciávam apontando debaixo das pequenas  flores do seu vestido. Nem que os pêlos dos suas costas e nuca se eriçavam quanto a proximidade dos corpos quando ele lhe dava a passagem para a saída e falava às suas costas. Alguns minutos separavam os corpos.
    Encontro as cegas (para ele). Era certo que aceitara o convite por curiosidade de se saber desejado. Ia sem saber para onde e ela se excitava com a indisfarçável euforia inquieta que o impelia para braços desconhecidos. No bilhete somente o endereço e o número do quarto de um motel num papel levemente perfumado. Notou que dessa vez o seu cheiro foi notado, talvez pelo cio ou pela semelhança com o bilhete.
    Seguirarm lado a lado em silêncio sem a interferência da conversa paralela ao telefone. Se separaram na garagem. Abriraram os respectivos carros, antes de entrar ele a olhou com um leve sorriso de despedida nos lábios. E seguiu para seu destino incerto.   
    Ele chegou primeiro como o previsto. Um bilhete com o mesmo perfume sobre a cama dizia: "Não acenda as luzes." O som da porta se abrindo o sobressaltou. Percebia a presença que não via. Ela parou à porta ele percebia às cegas. Caminhou diretamente à cama como que conhecesse cada milímetro preenchendo o quarto com o cheiro de fêmea. Estendeu as mãos, encontrou as coxas nuas, frescas. Subiu as mãos e encontrou os quadris nús estreitos, macios. Nua. Seus dedos deslisaram por vales desconhecidos, encontrar a delta de Vênus.     Totalmente nua.
    Na escuridão seus olhos nas palmas das mãos conheciam o corpo, descobriam desejado. Descobriam anunciado e o olfato denunciava a proximidade. As pernas o envolviam pela cintura e moviam o corpo pelos caminhos do pecado mais perfeito. Luxúria.  A língua só sentia o gosto da boca, as ondulações dos seios e o conforto dos mamilos no céu da boca.
    Ao sentir o membro vibrar com a frêmito do gozo o recebia tensa enquanto os lábios roçando ao ouvido disse numa voz suave e sussurrada, "Feliz Aniversário".
    Começaram o dia no mesmo elevador, porém, ele abriu a porta ao lado.

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