domingo, 6 de fevereiro de 2011

Um whisky por favor

  A princípio não sabia identificar, havia algo nele que o diferenciava dos demais. Em meio a toda aquela confusão, vozes alteradas pelo teor alcoólico dos presentes. Talvez aquele deslocamento ou o ar de desamparo. Ficou ali no canto da sala observando seus gestos. As mãos inquietas, uma certa impaciência contida, os olhos observadores, tão observadores que encontraram  os dela, imediatamente desviou. Divertiu-se com isso, insistiu com o  jogo.
        Alguém se aproximou dele obstruindo seu campo de visão, circulou entre os presentes, tentando não perde-lo de vista. Não percebeu quando alguém encheu novamente seu copo. Instintivamente bebeu. Passou os olhos novamente pelo salão não o encontrou onde estava. Pediu licença e circulou. E lá estava ele, num círculo rindo de algo engraçado dito por alguém. Os olhos encontraram-se novamente, desta vez ele sustentou o olhar “uma vez é acaso duas ....” - pensou. Respondeu o que alguém lhe perguntava com os olhos pregados nela e um leve sorriso malicioso nos lábios.

        Muita bandeira.

      Mais uma vez o copo estava quase cheio. Aquele barulho a estava  incomodando. Os pés começavam a doer pelo peso do corpo sobre o salto. Sentia-se um pouco entorpecida pelo álcool. O lounge vazio era um alento com sua semi escuridão, tirando os olhos escuros que a seguiam não havia mais nada de interessante naquela festa, não conhecia ninguém, todos só falavam de trabalho. Buscava na bolsa o celular quando ouviu o sussurro com um leve roçar de barba lhe causou um arrepio que percorreu todo o corpo. “ Vambora?”

      De perto os olhos dele eram ainda mais escuros e tímidos camuflados pelas  lentes dos óculos, porém, inegavelmente famintos.

       “ Agora?”
       “ Agora.”

       Ela gostava do seu silencio. O silencio contido de quem tem muito a dizer. Seguiram em assim, até seu hotel. Chegando abriu a porta para sair e aqueles olhos disseram tudo. Ela sorriu e ele a acompanhou. A chave deu a primeira volta na fechadura e a mão tocou de leve sua cintura, podia sentir o calor emanado do corpo dele  em suas costas. Trouxe-a para si sem resistência enquanto afundava o rosto em seus cabelos. Um leve rebolado anunciou o encaixe perfeito no contorno dos quadris. A porta se abriu e os corpos se encontravam e se enroscavam num balé perfeito ensaiado no primeiro encontro dos olhos. Tomou uma das mãos dele indicou-lhe o caminho, nua sob o vestido, sem barreiras os dedos encontraram quente abrigo, o prazer anunciado escorregando lentamente enquanto o gemido lhe correu as entranhas. Livrou-se das roupas desajeitadamente na ânsia de não perder um só segundo do prazer que fervia em ambos. Virou-a contra  a parede, levantou-lhe o vestido e os corpos sabiam instintivamente o que fazer. O ondular dos quadris dela marcavam o ritmo, rebolando hora numa desenfreadamente, hora lentamente retardando o gozo eminente. Ele a agarrou pelos cabelos e experimentando então a entrega com um grito fugitivo  enquanto a inundava com o seu prazer. Exauridos de silencio.

       Ela gostava do seu silencio. Silencio do que não precisava ser dito. Se entendiam. Se adivinhavam. Exploravam. Os olhos famintos. E a senha...


           “Vambora?”

Um comentário:

  1. Cheguei aqui pelo twitter http://twitter.com/#!/Lilianpool, texto excitante e gostoso de ler, bjsss poeticos...

    ResponderExcluir